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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Caçadores de pérolas

“… Naquela mesma noite escrevi minha primeira história (…) era um pequeno conto meio soturno sobre um homem que encontra um cálice mágico e fica sabendo que, se chorar dentro dele, suas lágrimas vão se transformar em pérolas.

Mas, embora tenha sido sempre muito pobre, ele era feliz e raramente chorava. Tratou então de encontrar meios de ficar triste para que as sua lágrimas pudessem fazer dele um homem rico. Quanto mais acumulava pérolas, mais ambicioso ficava.

A história terminava com o homem sentado em uma montanha de pérolas, segurando uma faca na mão, chorando inconsolável dentro do cálice e tendo nos braços o cadáver da esposa que tanto amava…”

Khaled Hosseine – O caçador de pipas

Tive uma percepção triste neste conto. Um alerta e não uma crítica.

A essência, o cerne da estória é: conquistar e acumular valores materiais, a qualquer preço, a qualquer custo, mesmo que se perca aquilo que mais importa.

Pareceu-me muito familiar e muito contemporâneo...

Não consigo deixar de ver na estória acima alguns de meus primeiros mestres na fé, muitos dos heróis da minha então nova espiritualidade.

Gente que eu acordava cedo para assistir, ouvir e aprender na TV aos sábados e domingos pela manhã, no começo dos anos 90. Homens e mulheres que andavam humildemente com seu Deus e eram, para nós os pequeninos sedentos de Deus, o modelo e exemplo a ser seguido de relacionamento, fidelidade, dignidade e felicidade espiritual.
Mas em algum momento perceberam que as lágrimas, que desgraças, que infortúnios da vida, tinham um “valor” e, estes mesmos homens e mulheres, aqueles então servos de Deus, pouco se importando hoje que todos, cristãos ou não, testemunhem que eles, com o cadáver do Cristianismo nos braços, transformam o choro dos necessitados em vantagem própria com um único propósito, com um único objetivo , o de satisfazerem suas ambições pessoais.

Não consigo deixar de ver na estória algumas igrejas e alguns “ministérios” (eu disse alguns) criados com o único propósito de encher o cálice com pérolas e não com vinho. Os que criaram tais ministérios entendem a igreja como o “cálice mágico” e que as lágrimas dos desesperados são pérolas em potencial. Tenho a sensação de ver o Corpo de Cristo morto em seus braços, nos braços das igrejas vendedoras de prosperidade enquanto seguram suas salvas e seus gasofilácios transbordantes.

Não consigo deixar de ver na estória também multidões que buscam a Deus com o único propósito de acumular riquezas terrenas, saciar suas ambições, conquistar o que “lhes pertence”. E que nunca crescem, nunca percebem que o valor real está no Amado. Pensam buscar a Deus, mas estão a buscar o cálice e com ele apenas já estão satisfeitos.

Dizem buscar e amar a Deus, desejam na verdade pérolas.


E tantos outros paralelos...


Pergunto:

Estaremos livres de mesmo destino?
Será que esperamos apenas encontrar um “cálice mágico” adequado?
Será que almejamos as pérolas em vez do Reino?


Cabe a nós cuidarmos fazer a escolha correta: a simplicidade com Nosso Amado ou a riqueza, glória e poder com seu Cadáver nos braços.

Jesus também nos oferece pérolas mas destas os porcos não se agradam.

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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Sobre o futuro de meus filhos


Eu estou muito preocupado com o futuro de meus filhos. Estou realmente preocupado em que espécie de mundo eles crescerão, em que espécie de sociedade eles viverão dentro de algumas décadas.

De maneira nenhuma minha preocupação se baseia na direção que a humanidade esta dando ao meio ambiente ou quanto restará de natureza preservada no planeta. Não, não é esta a causa de minha preocupação, apesar de entender a importância deste assunto.

O que realmente me preocupa quanto ao futuro dos meus filhos é o fato de a Igreja estar fracassando em sua missão, de a Igreja falhar em seu principal propósito que é o de implantar o Reino de Deus na terra.
Sim, a missão da Igreja, “a grande comissão”, é ir por todo o mundo e espalhar a Boa, a Excelente Notícia. E qual é esta Notícia afinal? Que o Reino de Deus já está operante entre nós e é uma realidade por causa do Amor de Deus, que podemos proclamar a Utopia do Reino como uma possibilidade, que as obra do Nazareno continuam, maiores ainda, em e através de nós.

Sim e mais, a excelente notícia de que podemos ser, aqui e agora, nesta terra, a imagem e semelhança, ainda que por espelhos embaçados, deste Deus Pai. Sim, que podemos como Ele amar e orar pelos nossos inimigos. Sim, que podemos combater o mal com bem, que podemos suportar o peso e pagar o preço da opção por nosso Deus. Sim, que podemos estender a mão ao caído e podemos ter a mão a nós estendida se caídos, e sermos realmente próximos de todos que estejam próximos. E tudo isto simplesmente porque o Reino de Deus já esta introduzido entre nós. E desta maneira, o Reino entre nós, a Igreja, somos o modelo da Utopia do Reino, possível e real, para a sociedade.

Mas não é o que temos visto infelizmente. A Igreja nitidamente falha em ser o modelo deste Reino de Deus entre os homens, nesta sua suprema missão, e nossa sociedade dia a dia se corrompe, seus costumes deterioram e o amor diminui porque não enxergam na Igreja padrões de excelência a serem imitados.

A função da Igreja é introduzir o sal, é providenciar a conservação da humanidade (no seu pleno sentido). Sim, a Igreja tem falhado porque deixou de salgar, deixou de conservar os homens, por conseguinte a sociedade e, perante ela a igreja se tornou insípida, sem graças, sem apelo, sem obras e sem verdades (porque não as tem vivificado). E assim, sem o Sal, rapidamente esta sociedade se corrompe, se deteriora velozmente sua humanidade.

A igreja tem falhado não porque tenha deixado de apregoar uma mensagem, mas por simplesmente torná-la só e apenas uma mensagem e não um padrão de vida e comportamento moral. Tem falhado não porque não esteja fazendo prosélitos por toda a parte, mas por torná-los piores do que eram, mais religiosos porém menos humanos. Tem falhado não porque esteja tendo vergonha ou timidez, mas porque tem coragem de fazer publicamente as mesmas obras com os mesmos fins mundanos de seus contemporâneos pagãos e assim expõem o Evangelho ao escárnio e desdém dos que por Ele deveriam estar encantados. Tem falhado porque deixou a erva daninha, raiz de todos os males, ser plantada no bom solo de Deus, em seu lugar central, amando este mundo e as coisas que nele há, seus valores, seus princípios, seu culto ao ego.

Somos hoje Laudicéia, ricos miseráveis, visionários cegos, vestidos de nossa nudez.

É por isto que estou preocupado com o futuro de meus filhos. Que tipo de sociedade sem Deus a Igreja esta ajudando a criar (porque não se distingue Deus nela)? Que tipo de homens sem amor, piedade e misericórdia serão seus contemporâneos por causa de nosso fracasso como luz do mundo (porque não irradiamos tal luz, ninguém pode vê-la)? Que tipo de Igreja existirá dentro de algumas décadas se os valores não forem cambiados?

Isto para mim é assunto de primeira pauta, de total relevância, importância, gravidade e urgência.

E me recuso a não acreditar na Utopia do Reino, eu me recuso a não acreditar que o bem prevalecerá, eu me recuso terminantemente não acreditar no poder Reparador de Deus, mas me dou o direito de abrir o meu coração hoje e dizer que eu estou muito preocupado com o futuro de meus filhos.


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sábado, 5 de dezembro de 2009

Amor revoltante


Não. Eu nunca faria uma oração pelo meu corruptor, chamando-o de “instrumento de benção para minha vida”, principalmente após receber dele dinheiro sujo, propina, e pedir que ele fosse livre dos “homens malignos” que o estavam perseguindo... porque se eu tivesse a ousadia de fazer isto mostraria a total falta de respeito e total manipulação do canal mais preciosos de Comunicação que existe. Não demonstraria piedade e sim estupidez. A mais absoluta, completa e total estupidez espiritual, a mais profunda ignorância em relação ao que é sagrado e ao que é santo e a mais completa incapacidade de percepção moral. Mostraria, de maneira absolutamente constrangedora, que para mim a oração, e tudo aquilo que ela representa, seria apenas uma ladainha para camuflar o que realmente estou buscando, o que realmente me importa, o que realmente amo, a quem realmente sirvo.

Não. Eu nunca embarcaria em um vôo com dinheiro escondido dentro da minha bíblia para burlar a alfândega e entrar em outro país com valores não contabilizado, não declarados e talvez não lavados... porque se eu tivesse a ousadia de fazer isto explicitaria a todo o mundo o tipo de relacionamento, respeito e reverência que teria por esta Santa Escritura e tudo o mais que ela representa e traz dentro em si. Mostraria, de maneira absolutamente cretina, que para mim ela, e aquilo que ela é e representa, seria apenas e simplesmente um invólucro para o que realmente me importa, o que realmente amo, a quem realmente sirvo.

Não. Eu nunca colocaria políticos no púlpito/altar de minha igreja e lhes entregaria o microfone com o propósito de trocar os votos das “minhas ovelhas” “en-curral-adas” por vantagens pessoais e políticas... porque se eu tivesse a pachorra de fazer isso estaria exibindo a qualquer que tivesse "olhos que vêem" que permitiria profanado, maculado, o lugar da comunhão, o lugar de recebimento e oferta para Deus. Mostraria, descaradamente e impudicamente, que o valor daquele Lugar Separado, e tudo que ele representa, seria justamente este, servir aos meus interesses pessoais e assim alcançar o que realmente estou buscando, o que realmente me importa, o que realmente amo, a quem realmente sirvo.

Não. Eu nunca receberia, buscaria, desejaria que alguém me chamasse de apóstolo e muito menos reivindicaria autoridade superior em função disto... porque se eu tivesse a ousadia de aceitar este título estaria declarando publicamente que me equiparo, que me nivelo, com homens do vulto de Simão Pedro, Paulo de Tarso, João Bar Zebedeu e seu irmão Tiago, que ocuparia o mesmo patamar deste santos homens. Seria pura, e simplesmente, insanidade porque aceitaria ser “em-titulo-ado” maior que Agostinho de Hipona, maior que Martinho Lutero, maior que João Calvino, maior que Wesley, que Knox, que Saymour, maior que tantos e tantos outros homens de Deus(que simplesmente ririam desta hipotética possibilidade, desde absurdo “ego-ístico”. Já imaginou como eles reagiriam? Dá outro texto). Demostraria, de maneira incrivelmente inescusável, todo o meu desprezo por aquilo que representa este título verdadeiramente e o tamanho de minha vaidade, o tamanho de meu ego, a soberba da minha alma. E por fim demonstraria aquilo que realmente estou buscando, o que realmente me importa, o que realmente amo, a quem realmente sirvo.

“Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína.” I Tm.6:9

Entendeu porque afirmo com convicção que "eu nunca"? Já me desiludiu tal amor.

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quarta-feira, 4 de novembro de 2009

A Procissão dos Crentes



Os nossos irmãos Católicos Romanos têm o costume de seguir seus santos ídolos (objetos de veneração) em procissão pelas ruas da cidade em cima de carros com alegorias, a fim de exaltá-los e honrar seu nome em determinado dia, pretextando louvar a Deus.
Outros crentes também...

Os nossos irmãos Católicos Romanos têm o costume de entoar cânticos durante estas procissões e manifestar sua dedicação publicamente.

Outros crentes também...

Os nossos irmãos Católicos Romanos vendem, durante a passeata, lembranças, camisetas, e outros badulaques para ajudar as "obras assistenciais".

Outros crentes também...

Os nossos irmãos Católicos Romanos fazem deste dia uma grande festa de alegria, de devoção e fé, pois receberão as graças espirituais de Deus pelo esforço e pelo sacrifício.

Outros crentes também...

Os nossos irmãos Católicos Romanos não entendem teologicamente nem biblicamente o porquê de estar ali, e também não questionam; a interpretação correta das escrituras vem apenas ao Clero e os leigos não precisam entender, apenas obedecer para receber as bênçãos.

Outros crentes também...

Os nossos irmãos Católicos Romanos não percebem, por ingenuidade ou ignorância, que estão servindo de massa de manobra, moeda política, para líderes interessados em conquistar prestigio e força junto aos governantes, conseguindo assim poder de barganha, e só isso.

Outros crentes também...

Os nossos irmãos Católicos Romanos nestas procissões não percebem que os organizadores privilegiam os importantes, os amigos, os parentes e os aliados com os melhores lugares, deixando a gente piedosa e simples nos últimos lugares, o seu devido lugar.

Outros crentes também...

Nossos irmãos Católicos Romanos não são, quando fazem estas procissões, desculpáveis, pois não ouvem o Espírito Santo, que está aqui para auxiliar a discernir os espíritos, nem a conferir na Palavra, lâmpada para os pés, qual a vontade de Deus.

E outros crentes também?


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sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Oh Lord, won't you buy me a Mercedes Benz?



Assim começa a canção de Janis Joplin composta em outubro de 1970. Nela Janis buscava criticar o materialismo da sociedade americana. De maneira contundente ironizava o egoísmo, a vaidade e a indiferença social das crenças religiosas da América. “Oh Senhor! Não vai comprar para mim uma Mercedes Benz?” indagava com sua voz rouca, cantando à capela, quase uma oração.

E a ironia contundente da canção estava justamente no fato de alguém pedir a Deus em oração de maneira (aparentemente) humilde, sincera e verdadeira, uma ostentação luxuriante, como se isto fosse algo natural (ou melhor, sobrenatural). No contraponto humildade-ostentação, suplica-conquista, necessidade-extravagância surge o constrangimento da situação e neste constrangimento está seu lado cômico e impactante.

Hoje não é mais cômica, muito menos impactante.

A ironia dentro da ironia é que esta mensagem deixou de ser constrangedora nestes nossos dias, em nossas igrejas, em nossas orações depois do surgimento da Teologia da Prosperidade. O que era vício assumiu a forma de virtude. Não uma, ou duas vezes, ouvi pedidos parecidos sendo feitos por sacerdotes cristãos em púlpitos e reuniões. Aliás, coisas do tipo “isto é carro para filho de Deus” ou “isto sim é carro de pastor” são até corriqueiras, comuns, justamente porque não se vê a luxúria, o culto ao ego e a vaidade da alma como sentimentos a serem combatidos.
Não entrarei no mérito de ser ou não correto, ser ou não legítimo, para um cristão possuir um carro de alto luxo. Cada um pode fazer o que bem entende com seu dinheiro. Principalmente se ele é fruto de trabalho honesto, árduo e dedicado.

O mérito a ser discutido e que deixa alguns cristãos incomodados é que a maioria das pessoas que freqüenta cultos não se sentiria constrangida com esta música. Os valores (aqui como qualidade daquilo que se valoriza, que se dá valor) do cristianismo evangélico ocidental se transformaram de tal maneira que abraçaram os valores mundanos. Novamente; aquilo que era vício se tornou virtude e isso transformou completamente o entendimento do que é certo ou errado em relação ao Reino e às palavras de Jesus.

A maioria das pessoas compreende o fato de que é lícito pedir a Deus o suprimento de nossas necessidades básicas ou a ajuda em coisas que são necessárias, importantes. O apóstolo Paulo nos ensinou a “fazer conhecidas de Deus as nossas petições”. O próprio Jesus, na oração modelo, nos ensina a pedir a Deus que supra as nossas necessidades. Note-se que a oração modelo diz “pão nosso para cada dia”, não caviar nem foie gras. Com simplicidade, humildade e sentido de coletividade nós podemos, e devemos, pedir coisas para Ele.
A maioria das pessoas também compreende que usar uma maneira legítima de socorro divino para fins menos nobres (no caso, coisas de nobre) não é muito ortodoxo. Tanto não é que a carta de Tiago nos ensina que tais orações simplesmente não serão atendidas. Este tipo de pedido demonstra o egoísmo, vaidade e soberba de quem o faz e Deus simplesmente não compactua com esta coisas.

A música de Janis quase pode ser confundida com louvor hoje em dia. Quase dá para tocar nas igrejas (Quase?). Porque a igreja incorporou os pensamentos que tentava despertar como incompatíveis com o Reino de Deus, ou seja, valore mundanos. Estes entraram no seio, no âmago da igreja.

Miserável Teologia da Prosperidade, maldito culto ao ego e à personalidade, maldita vaidade da alma. A teologia e o espírito destes dias conseguiram transformar a pobre e perdida Janis, na irmã Joplin...

A resposta para a “oração” dela hoje seria: Aleluia, irmã! Recebaaa!!!





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terça-feira, 22 de setembro de 2009

Sobre Contos Infantis não tão infantis assim...


No famoso conto infanto-juvenil de Hans Christian Andersen “A Nova roupa do Imperador” um rei, a nobreza de sua corte e todos os seus súditos são enganados por dois trapaceiros.

Aproveitando-se da gigantesca vaidade do soberano e gabando-se de fabricarem trajes esplêndidos e tecerem os tecidos mais lindos que existem (e que possuem a rara qualidade de parecerem invisíveis aos pouco inteligentes e aos inaptos para suas funções profissionais) conseguem convencê-lo que podem, apenas com este tecido mágico, elevar a qualidade de vida e a figura real a um novo patamar.


O rei, entorpecido pela vaidade, entrega tudo que é solicitado pelos trapaceiros. Estes fingem trabalhar e tecer no tear vazio, cortar e costurar ao vento. Todos que presenciam a cena, do seu primeiro conselheiro ao tratador de cavalos, temendo serem rotulados, afirmam ver o tal tecido e a vestimenta por eles a se coser. Inclusive o rei que, mesmo sem enxergar, ou sentir, o manto e as roupas reais, se dispõe a desfilar publicamente para exibir as tais tão majestosas vestimentas, afinal, não podia passar-se por tolo, que não era, simplesmente por não ver, ou sentir, os vestidos.
Na hora do desfile e após o rei estar completamente “vestido” com o figurino invisível os cortesãos, responsáveis por carregar o manto, se abaixam solenemente e, segurando o ar, caminham atrás do imperador com pompa e nobreza. Todos que nas ruas observam o cortejo real enaltecem a beleza, os padrões e as cores do tecido, além de seu excelente caimento. Ninguém via a roupa, mas não se atreviam a dizer coisa alguma.
Até que um garoto, em sua inocência, grita: - O rei esta nu! O rei está nu!

Mas mesmo assim a procissão continua, pois o cortejo (assim como o show) não pode parar.

Apesar de este ser um conto infantil tem uma mensagem profunda e muito real. Sabe que muitas vezes eu tenho a impressão que muitos de nós, cristãos do século XXI, estamos dentro deste conto? É impressionante como ele retrata clara e fielmente a situação de crentes, ministros e ministérios, nestes nossos dias. Acho que poderia até chamar "A nova unção do Apóstolo" ou "O novo manto do Bispo". Deixa eu te mostrar os por quês desta impressão através de paralelos, das coisas comuns a ambos:
(Quando digo invisíveis, aqui e em qualquer local deste texto a partir daqui, quero me referir à ausência de evidência, de eficácia de transformação pessoal, familiar, social ou espiritual e não à incapacidade de algo ser percebido através da luz, o fenômeno físico que possibilita a visão)

1- Existem vendedores de tecidos invisíveis

Como no conto, existem pessoas e ministérios prometendo mantos, coberturas, e afins, ditos maravilhosos, inigualáveis, a um preço determinado e que são absolutamente invisíveis. Quantos ministros têm vendido a idéia de uma vida e de objetivos que não são biblicamente reais? Quantos ministérios estão oferecendo a seus membros um ensinamento ineficiente, que não é a eficaz e quiçá alcançável? Infelizmente vemos mercadores de ilusão que, se valendo das fragilidades da vida, de pessoas prisioneiras de seus vícios, reféns de padrões e cobiças mundanas, de modelos satânicos, vendem-lhes soluções que não solucionam, quebras que não quebram, veredas que não levam a lugar algum, e que servirão apenas para encher seus bolsos, gasofilácios ou egos.

2- Existem muitos que “vêem” a roupa invisível

Nesta categoria vemos dois tipos de pessoas. As que são ingênuas por serem débeis de entendimento e as que são omissas por qualquer que seja o motivo.

O primeiro grupo é composto de pessoas dedicadas e compromissadas, submissas a autoridades e operantes, mas que não alcançam uma transformação de seu estado de fragilidade em muitas situações de sua vida. Pessoas que não são livres, não se sentem plenas, não estão satisfeitas. Com sinceridade de coração agem por temor a Deus sofrendo do medo de homens que habilmente manipulam as escrituras com este propósito final. Estes são desculpáveis por serem incapazes de ver e entender. Realmente não enxergam.
Por outro lado, o segundo grupo, os que vêem e estão calados pela conveniência de permanecerem em silêncio. São aqueles que receberam a capacidade de ver, que foram agraciados, mas se mantêm em silêncio por que é conveniente, porque temem ser taxados. Na verdade protegem seu status, sua honra e notoriedade, não o Rei ou o Reino. Estes do segundo grupo são covardes e omissos, pois têm a capacidade de ver e de sua visão dependem os que são do primeiro grupo.
Esta covardia é a responsável final da exposição de qualquer nudez, principalmente a do Rei. Expõe a ignorância do povo ignóbil, a covardia dos sábios, a vaidade dos lideres. Expõe, afinal, toda sorte de nudez, menos a de caráter dos mercadores de tecidos invisíveis.

3- Existem poucos, bem poucos, garotos gritando

Os poucos meninos que ousam gritar e proclamar a nudez real são rotulados de hereges ou, com boa vontade, inocentes ou imaturos pelos outros envolvidos no negócio. Somente se esquecem estes acusadores de que, como ensinou Nosso Senhor, o Reino de Deus é dos tais meninos.
"Jesus, porém, disse: Deixai os pequeninos...vir a mim,
porque dos tais é o Reino de Deus" Mt. 19:14



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