quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Para Aylan e Abdulla



Hoje derramei lágrimas pelo pequeno Aylan. Seu corpinho inerte na costa da Europa chocou-nos.
E chocou-nos porque nós, ocidentais, não podemos suportar a barbárie. Desacostumamos.

Mas há um outro motivo. Chocou-nos porque de alguma maneira nos identificamos com ele, e esta é a única forma de amar ao próximo, nos enxergarmos no próximo, nos vermos, egoisticamente, no outro. Eu vi meu filho ali deitado. Eu me vi em seu pai.
E nesta história de tantos vilões eu vi um herói, Abdulla, seu pai. Herói porque, cercado de Islam, de guerra, de fome, de desesperança, ele pegou o que tinha de mais precioso, sua família, e arriscou tudo pela esperança, pelo sonho, de alcançar um futuro melhor. E ele se agarrou à tábua de salvação que é o mundo e a cultura ocidentais, que é o mais próximo que existe nesta terra da utopia do Cristo Nazareno, Galileo. Sim, porque o tão criticado mundo "ocidental", a cultura judaico-crista, é a única esperança para estas pessoas. Sim, porque o ocidente só é que é graças ao cristianismo. Ao cristianismo que há dois mil anos atrás já falava sobre a fraternidade entre os homens, sobre ao cuidado com seu semelhante, sobre a igualdade de gêneros, sobre a solidariedade, a assistência social, tudo isso que hoje, apesar de distante ainda, continua buscando alcançar. E apesar de resistir, renegar isto, foi o Cristo que apontou o caminho. A forma e a maneira de um mundo melhor.
Foi atrás disso que este herói arriscou tudo. Ainda que um mar bravio se interpunha. Mas o herói é aquele que enfrenta as maiores dificuldades, os maiores desvios, pela justiça e paz.
E como acontece com os heróis de verdade, às vezes, não acaba tudo bem. As vezes o final não é justo.

Eu confesso, no lugar dele eu teria feito a mesma coisa. Até porque sabemos que o fim de Aylan, ainda que absurdo, ainda que trágico, foi menos absurdo e menos trágico do que ter ficado à mercê do Estado Islâmico. Lágrimas para o pequeno Aylan, solidariedade amigo Abdulla.

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